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O leitor Wanderley Filho, em mensagem enviada à coluna Política do O Povo, tocou no ponto: "Não sou advogado, mas a questão da invasão da UFC é óbvia demais para qualquer um medianamente informado. A omissão das autoridades em restaurar a ordem e o patrimônio público também é crime. É prevaricação (faltar ao cumprimento do dever). Se o reitor não solicita a reintegração de posse, ele prevarica. Se a ordem é expedida e o Executivo não a cumpre, é prevaricação. Os responsáveis devem ser acionados judicialmente e responder pela falta. Fica a sugestão para a UFC. Quanto à coluna, parabéns pela coragem de chamar as coisas pelo nome. Invasão não é ocupação. Boa parte dos jornalistas temem fazer essa distinção com medo do patrulhamento politicamente correto de uma minoria organizada e barulhenta. Pela repercussão que o tema gerou, é saudável constatar que a maioria, geralmente silenciosa, prefere a mediação do Judiciário ao voluntarismo de 'movimentos sociais'". E mais leitores protestam na coluna:
Ciranda que se organiza como máfia Vejam a colaboração de um leitor que, por ser funcionário público, pediu que seu nome fosse omitido: "Mais uma vez a omissão contra as invasões tanto em áreas urbanas como rurais. Trabalho em um órgão que cadastra famílias para que tenham um abrigo e a posse do terreno. Se tudo fosse redondinho, seria maravilha. No entanto, o que existe é comércio com as casas. Invade-se para depois conseguir do poder público uma casa e, posteriormente, vendê-la. É uma ciranda, sempre com a 'organização' (máfia) por trás para invadir terrenos para usufruto. Um meio de vida. Vale pensar um pouco sobre como faz o outro lado, ou seja, a máfia fina. Estive recentemente a trabalho em uma invasão em Canoa Quebrada. Uma duna. A prefeitura considerava um absurdo a invasão. Olhando para o lado abaixo da duna, percebi uma série de casas de luxo e barracas de praia. Perguntei por que as famílias 'humildes' (depois explico as aspas) não podem invadir, e as ricas podem? Perguntei também porque ainda não foram feitas as demarcações das áreas de preservação. Os técnicos da prefeitura balançaram as cabeças sem dar resposta." Grilagem de ricos e remediados Continua o leitor: "As famílias invadem o local, ganham a posse do terreno e a casa para depois vendê-la. Nas muitas vezes, como no caso de Canoa, as casas são compradas por posseiros de luxo a preço de banana (daí a história das aspas) para depois especularem das mais diversas formas. Verdadeira grilagem utilizando laranjas para o negócio sujo. É preciso envolver a Polícia (Federal e Estadual) nos cadastros, utilizando toda sua capacidade de investigação para coibir os espertalhões de especularem e tumultuarem o acesso para famílias que realmente necessitam de moradia. Da mesma forma que a Polícia Federal deveria retirar as famílias do Campus do Pici, deveria também retirar as famílias que hoje estão habitando áreas de preservação de luxo, como é o caso das margens do rio Jaguaribe, em Fortim, onde existem mansões em total desconformidade com a legislação ambiental. A lei existe para ambos os espertalhões. A grilagem é a mesma. O que difere é a conta bancária. O que realmente faz falta é a presença do poder público para impedir que estas áreas fiquem à mercê dos especuladores finos e 'descamisados'". Fonte: O Povo – Coluna Política – Fábio Campos
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