AS MANIFESTAÇÕES POPULARES DE JUNHO DE 2013: HÁ REALMENTE UMA MUDANÇA NO BRASIL?

Neste dia 21 de junho de 2013, ainda é muito cedo para dizer, pelas manifestações populares ocorridas neste Junho de 2013, se há ou não uma real mudança de comportamento do povo brasileiro em sua capacidade de se manifestar e, espontaneamente, mediante revolta popular, efetivar modificações no cenário político nacional e estancar a sangria de dinheiro público que sai pelo ralo da corrupção. Digo muito cedo, pois aqui há mais de 500 anos de motivos para protestar. Afinal, até mesmo a independência do Brasil, diferentemente de países com melhor desempenho da administração pública e detentores de maiores níveis de vergonha política, foi negociada, sem derramamento de sangue e sem a participação popular. E somente agora, sem induzimento, e por suas próprias forças (diferentemente dos protestos contra a ditadura militar, das “Diretas Já” e dos “caras pintadas”), coincidentemente com a realização de um evento esportivo internacional, veio à tona tais fenômenos. De fato, este evento, quando foi anunciado no ano de 2007, ou seja, há seis anos, não foi alvo dessas manifestações. O povo esperou que as despesas irregulares fossem realizadas e que muito dinheiro fosse gasto para demonstrar sua insatisfação.

Além disso, o motivo que desencadeou esta onda de protestos, relacionado à redução ou revogação dos aumentos nos preços das passagens de ônibus (movimento “Passe Livre”), não evitará a má aplicação dos recursos públicos, nem trará qualidade ao sistema de saúde, educação e transporte público. No entanto, o povo parece ter visto que não precisa da mídia, nem de partidos políticos, para exercer seu poder.

Esse momento parece ser apenas uma semente (que mostra, porém, o que é o poder do povo, e prova que o povo, sozinho, pode efetivar mudanças). Se ela vai ser plantada, depois regada e, principalmente, se vai crescer e dar frutos, promovendo mudanças, retirando governantes e impedindo atos de improbidade administrativa, não se pode afirmar. Ainda é muito precoce dizer. Porém, é um começo que não pode ser desprezado, nem se perder, parar ou arrefecer, sob pena de saírem fortalecidos os agentes políticos corruptos.

Se tais manifestações continuarem depois do dia 30 de junho de 2013, último da Copa das Confederações, ou após a suspensão desse evento pela FIFA, caso esta assim decida (o que considero improvável), ai sim poderemos dizer que a semente foi plantada. E apenas se depois e depois, a cada motivo que for dado (a cada “Mensalão”, ou a cada morte ou não atendimento em hospitais, ou a cada “Lalau”, ou a cada obra superfaturada), continuarem esses protestos e forem promovidas a queda de governantes e a queda de agentes políticos corruptos, sendo estabelecida uma nova ordem política (e até mesmo jurídica) no Brasil, é que será possível afirmar que a semente foi regada, cresceu e deu frutos.

O Brasil teve 513 anos de motivos para que o povo se manifestasse. E, a cada dia, continua tendo motivos. Se a partir desse Junho de 2013, o povo continuar fazendo a história, se for às ruas, se de coadjuvante passar à protagonista, se deixar de ser cordato e passar a não mais se conformar, mas sim promover mudanças por suas próprias forças e poder, é que será possível construir um País diferente.

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