04.09.2010

Curso rápido de Economia
Um viajante chega numa cidade e entra num pequeno hotel. Na recepção, entrega duas notas de R$ 100,00 e pede para ver um quarto.
Enquanto o viajante inspeciona os quartos, o gerente do hotel sai correndo com as duas notas de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.
Este pega as duas notas e vai até um criador de suínos a quem, coincidentemente, também deve R$ 200,00 e quita a dívida.
O criador, por sua vez, pega também as duas notas e corre ao veterinário para liquidar uma dívida de R$ 200,00.
O veterinário, com a duas notas em mãos, vai até a zona boêmia quitar a dívida com uma prostituta. Coincidentemente, a dívida era de R$ 200,00.

A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde, às vezes, levava seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações.
Valor total da dívida: R$ 200,00.
Ela avisa ao gerente que está pagando a conta e coloca as notas em cima do balcão.
Nesse momento, o gringo retorna dos quartos, diz não ser o que esperava, pega as duas notas de volta, agradece e sai do hotel.
Ninguém ganhou nenhum vintém, porém agora toda a cidade vive sem dívidas e com o crédito restaurado, e começa a ver o futuro com confiança!
É assim que funciona a Economia. O dinheiro é um mero bastão de maratona que corre para a frente de mão em mão.
Glória a todo aquele que consegue segurá-lo e acender com ele a pira do consumo.
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Aula de baianês, na moça do acarajé
Esta é a primeira contribuição desta coluna para a Unilab (Universidade Federal Lusofônica Afro-brasileira), futura universidade da comunidade afro-brasileira, de Redenção, em fase implantação.
É importante frisar que o palavrão é parte indissociável do diálogo, sem o qual o dialeto local corre o risco de não ser compreendido nem pelos próprios baianos. Então...
-Diga aí freguês?
-Baiana, vê um com e um sem, pra viage.
-Bota pimenta? -Tá muito retada?
-Tá boa. -Então bota como se o cu fosse seu.
Tem guaraná?
-Sim. Tem Coca, Fanta, Fanta uva e soda.
-Bota uma Coca pra viage, também. Sabe dizer onde eu pego o buzu pra Muriçoca? -
Faz o arrodeio a direita. Ele passa na pista de lá.
-Costuma demorar? -Demora pra caralho. Só passa de caju em caju.
-Ôto dia, peguei esse buzu e o motô botou pra fudê. Corria virado na nisgraça, acho que tava comeno água.
-Esses corno num respeita a gente. Leva o buzu como se fosse fusca. Ôto dia o motô fez uma curva virado na porra e derramou meu balaio todo.
-Filho da puta! Porque você num mandou ele pra casa da porra?
-É que tava na pendura, num podia reclamar. Cê sabe né, as vez a gente pega carona.
-Cê tava indo pronde?
-Da Curva Grande pro Pau Miúdo.
-Ah! Longe pra porra.
-O pior né isso. O buzu tava intupido e tinha um viado fazeno terra em mim. Mandei o sujeito tomar no lugar que galo gosta. Que falta de respeito!
-Pois é baiana. O povo num respeita mais nada. É foda! Cê já viu que tem um carioca trabalhano na padaria de seu Nonô?
-Vi, acho que ele é meio tiziu do peito seco.
-Pois é. O sacana ficou rino da minha cara porque pedi uma vara e dois cassetinho, pode?
-Pode não batera, quem essa bicha pensa que é?

-Sei lá. Aquele Pit bull é Xôla mesmo. -Tô indo baiana. Vou levá o acarajé da nêga antes que isfrie.
Ah! Bota uma punheta (bolinho de estudante) também. Quanto é?
-Seis real.
-Bota no prego baiana. De hoje a oito eu te pago.
P.S.
Este texto é quase uma transcrição literal de um diálogo que ouvi ontem entre a baiana e um cliente quando fui comprar um acarajé, diz o autor, Adriano Caroso,
E para o carioca da padaria, dá um esclarecimento: "vara" é bisnaga de pão, "cassetinho" é pão francês e "punheta "é bolinho doce de massa de mandioca salpicado com açúcar cristal e pó de canela .
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Direito adquirido
Um casal vai a um psicólogo. Logo que chegam ao consultório, o terapeuta pergunta qual é o motivo da consulta. A mulher tira uma lista bem grande e detalhada de todos os problemas que tiveram em 25 anos de casados:
É... pouca atenção, falta de intimidade, vazio, solidão, não me sinto amada e desejada..e - e por aí vai.
Finalmente, o psicólogo se levanta, se aproxima da mulher, pede que ela também se levante, a abraça e a beija com paixão, enquanto o marido os observa, impressionado.

A mulher fica muda e se senta meio atordoada. O terapeuta vira para o marido e diz:
- Isto é o que sua mulher precisa, pelo menos duas vezes por semana! Você consegue?
O marido pensa um pouco e responde:
- Bom, eu posso trazê-la segunda e quarta, mas, às sextas, eu jogo futebol com minha turma!
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Lei do Talião em Propaganda

Se você ligasse pro seu namorado e ele atendesse assim:
"Escuta aqui você!
Eu tô na casa de um amigão,
Tô tomando um cervejão,
Tô jogando um poquerzão
E não vô agora não!"
O que você, como mulher, faria?
Ora, responderia assim:

"Relaxa amor,
Só liguei pra avisar que eu to na casa da vizinha,
Tomando uma caipirinha,
Tá rolando a maior festinha,
Vou chegar de manhãzinha."
E a propósito... não vou dormir sozinha!
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Agora falando sério
"A sorte do Lula foi ter tido ótimo antecessor”, diz professor de Havard.
Entrevista com Ricardo Hausmann
De São Paulo, Érica Fraga, da Folha de S.Paulo:
Com esse comentário, o economista Ricardo Hausmann, diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard e um dos mais respeitados especialistas em teoria do desenvolvimento econômico, encerrou uma série de críticas ao governo Lula.
Em 2008, ele escreveu o estudo "In search of the chains that hold Brazil back" ("Em busca das correntes que freiam o Brasil"), afirmando que a política de expansão fiscal dos anos recentes, alavancada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), é insustentável.
E, segundo ele, pode ter o mesmo efeito "desastroso" para a economia que a política externa de Lula teve para a diplomacia.
Folha - Houve avanços desde que o sr. escreveu sobre as barreiras ao crescimento no Brasil em 2008?
Ricardo Hausmann - Talvez você se lembre que [no estudo] eu era otimista sobre muitos aspectos estruturais do Brasil. O Brasil tem um setor privado muito forte, tem muito potencial de crescimento do investimento em muitas áreas promissoras. Mas, nos anos de boom antes da crise de 2008, o Brasil era um dos países que cresciam às menores taxas na América Latina.
Minha avaliação era a de que isso se devia a uma taxa baixa de poupança doméstica, que exigia taxas de juros ridiculamente altas para evitar que a economia tivesse um aquecimento excessivo.
Aí veio a crise e o governo respondeu com políticas anticíclicas. Aumentou significativamente a oferta de crédito via BNDES e Banco do Brasil em um momento em que havia uma parada cardíaca financeira. Diria que, de forma geral, a crise foi bem administrada. Mas o principal problema com muitos países, e o Brasil é um exemplo, é que, quando as coisas começam a parecer bem, eles se tornam arrogantes. Passam a acreditar num mundo de fantasia.
O que o sr. quer dizer com mundo de fantasia? Só porque o Brasil teve por um trimestre uma taxa de crescimento acima de 7%, o Brasil agora é a nova China e o Lula é um gênio das finanças, e todos os problemas anteriores não existem mais porque o Brasil é um país diferente. Há toda uma narrativa que tem sido criada por conta de alguns bons trimestres no Brasil que pode levar a políticas macroeconômicas muito inconvenientes. Essa narrativa é particularmente conveniente na época de eleições.
A primeira coisa que já está acontecendo é que a Selic [taxa de juros básica da economia] está subindo.
Se você quisesse que a Selic aumentasse menos, a ideia seria compensar com políticas fiscais e de empréstimo pelo setor público mais estritas.
Porque, de certa forma, o Brasil é um país esquizofrênico. Você tem uma política fiscal em que o BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio.
Essas combinações são particularmente perigosas porque deixam a Selic muito alta em um período em que as taxas de juros globais estão muito baixas.
Isso leva os investidores a pegar dinheiro emprestado em dólares, em ienes ou em euros para colocar dinheiro no Brasil, o que gera uma forte apreciação da taxa de juros e a possibilidade de desindustrialização.
Alguns defensores da atuação recente do BNDES citam países da Ásia que atingiram altas taxas de crescimento sustentado por meio de políticas industriais. O que o sr. acha desse paralelo?
Não tenho problemas com políticas que complementam o setor financeiro, viabilizando a disponibilidade de crédito para investimentos em áreas difíceis da economia.
Não sou, de forma alguma, crítico em relação à contribuição potencial do BNDES para o desenvolvimento do país. Mas é uma organização que foi desenvolvida na época da inflação alta para proteger a economia das taxas de juros reais muito altas.
A inflação não é mais um problema no Brasil?
Seria possível que o BNDES mantivesse o foco de sua política em empréstimos para investimentos municipais, investimentos de longo prazo, apoiando pequenas e médias empresas, mas a uma taxa de juros que refletisse a Selic e não a uma taxa de juros que é muito inferior à Selic, que cria a distorção de gerar demanda excessiva pelos fundos que o BNDES tem de gerenciar.
O sr. vê o crescente deficit em conta-corrente do Brasil, em tempos recentes, como um problema?
A deterioração do deficit em conta-corrente indica que a expansão do gasto no Brasil é mais rápida do que a expansão da produção.
O efeito disso é apreciar a taxa de câmbio, desestimulando as atividades exportadoras, para liberar recursos produtivos para atender a esse boom temporário do consumo.
Todas as indicações são de que as condições fiscais e a política financeira do setor público são excessivamente expansionistas. Isso vai causar prejuízo para as perspectivas de crescimento de longo prazo do Brasil.
A economia brasileira ainda é bastante fechada ao comércio exterior. Isso limita o crescimento de longo prazo?
Acho que o Brasil tem os produtos com os quais poderia ter uma presença muito maior no comércio internacional. Vocês são gigantes em agricultura, em mineração. Têm uma presença marcante na produção de aeronaves.
Há uma atividade industrial vasta que poderia gerar uma presença muito maior. Mas a administração macro no Brasil tem sempre conspirado contra o potencial de longo prazo.
E isso continua acontecendo?
Na minha opinião, está piorando. Quando o Lula foi eleito, em 2002, houve uma crise econômica e ele foi muito cuidadoso ao dar confiança ao setor privado. Agora, eles começaram a pensar que sabem mais e estão menos dispostos a serem cuidadosos. Estão se tornando mais ideológicos.
Do ponto de vista econômico, as políticas são insustentáveis como as adotadas na diplomacia. Agora que o Brasil é grande, pode ir para a cama com o Ahmadinejad [Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã] no Irã ou hospedar o Zelaya [Manuel Zelaya, ex-presidente de Honduras deposto em junho de 2009] na sua embaixada em Honduras etc.
É uma atitude de que agora o país é independente, um poder diferente, e, portanto, pode confrontar o senso comum. Esse tipo de arrogância na política externa tem sido desastrosa.
E esse tipo de arrogância tem o perigo de ser igualmente desastrosa para a administração macroeconômica. As pesquisas de intenção de voto mostram grandes chances de vitória da candidata do presidente Lula.
O sr. acha que isso levará a uma continuação dessas políticas que o sr. critica?
Todo mundo sabe que o presidente Lula tem sido superpopular e ele construiu um capital político enorme. Mas esse capital político enorme não se traduziu em nenhuma reforma significativa durante seu segundo mandato [2007-2010].
Ele não tem nada a mostrar em termos de ter resolvido problemas antigos relacionados à baixa taxa de poupança, ao sistema de previdência, à infraestrutura, a ter uma estrutura tributária mais normal e funcional.
Apesar do seu enorme capital político, ele não foi capaz de fazer nenhuma reforma significativa como as feitas pelo antecessor dele. E, recentemente, ele tem se movido na direção contrária.
A grande sorte do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor [FHC]. Mas o próximo presidente do Brasil não terá a mesma sorte.
Frases
"De certa forma, o Brasil é um país esquizofrênico. Você tem uma política fiscal em que o BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio"
"A deterioração do deficit em conta-corrente indica que a expansão do gasto no Brasil é mais rápida do que a expansão da produção"
"O Lula tem sido superpopular e ele construiu um capital político enorme. Mas esse capital não se traduziu em nenhuma reforma significativa durante seu segundo mandato [2007-10]"
Quem é Hausmann
Venezuelano, Hausmann foi pioneiro no BID. Ricardo Hausmann nasceu na Venezuela em 1956. Com doutorado em economia pela Universidade Cornell, nos EUA, Hausmann ocupou importantes cargos públicos em seu país natal, como ministro de Planejamento e diretor do Banco Central. Foi o primeiro economista-chefe do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
Desde 2005, é diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da John F. Kennedy School of Government, da Universidade Harvard. Especialista em teoria do desenvolvimento econômico, ele defende a ideia de que um mesmo receituário de políticas não funciona necessariamente para todos os países.
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Colaboraram com a coluna de hoje José Carlos Perri, publicitário e advogado,
residente em São Paulo; Dione Brach, residente em Colônia, na Alemanha;
Sílvio Camerino Paes Barreto, professor veterinário aposentado da UFERP;
Pedro Costa, engenheiro civil e empresário imobiliário, residente em Salvador/Ba;
e Giovanni Scandura, publicitário, residente no Recife.