07.08.2010

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Auto-suficiência
Não é só o Brasil em relação ao petróleo. Um sonho que sempre acalentamos é o da auto-suficiência.
Assim, quando eu comprei uma pequena chácara de 8,5 hectares nos arredores de Salvador, na Bahia, uma das práticas que logo me impus foi a de planejar fins de semana de auto-suficiência culinária rigorosa.
Frango do meu galinheiro, omelete dos ovos de meu galinheiro, aipim da minha horta, leite das minhas vaquinhas, laranjas do meu pomar e vai por aí. Lógico que a energia elétrica era da Chesf, a gasolina Petrobras, o sinal de TV era da Globo.
Mas, a ideia era levar a auto-suficiência o mais longe possível. De certa forma, consegui.
O comentário surge do meu propósito de fazer a coluna de hoje apenas com textos de meus amigos. Gente bem íntima com quem convivi no meu passado de publicidade e cultura. Deu, em parte. A crônica de abertura, primorosa, é de Joca de Souza Leão, ex-diretor de criação da Italo Bianchi Publicidade, do Recife, com quem já trabalhei na Denison.
O texto seguinte e seu inteligente comentário são dos publicitários Mário Castelar e Décio Gentil, com quem trabalhei na Norton Publicidade.
Mas, logo em seguida, peço emprestada a inteligência de Carlos Heitor Cony e do advogado sergipano César Vladimir Bomfim Rocha, que só conheço e admiro à distância, para transcrever outros textos de magnífica oportunidade, que me foram remetidos por Giuseppe Mastroianni, José Torres e, de quabra, uma tirada de humor de anônimo, enviada por Ayrton Rocha.
São eles O Cão e o Gato, Curso Rápido de Análise Sintática e Defesa em Cordel. todos muito bons. Vamos lá:
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Papos circunstanciais Joca Souza Leão
Às vezes, a gente ouve um rabo de conversa, fica sabendo o começo de uma história, mas não sabe do fim, noutras, fica sem saber o começo, porque, quando se chega, o papo já tá nos finalmente. Não sei o que é pior.
Se história sem pé ou história sem cabeça. Outro dia, fui visitar meu amigo Chico Mendonça no Hospital Português. Caminhando.
Quando passei na pracinha que fica logo depois do Spettus, na Agamenon, um técnico em telefonia (acho eu), trabalhava no alto de um poste.
Em baixo, segurando a escada, o colega lhe anunciou em alto e bom som:
“ - Rapaz, minha sogra é de lascar. Sabe qual foi a última da coroa?”
Com uma introdução dessa, eu não podia perder. Estanquei na hora. Pra minha curiosidade não dar muito na vista, agachei e refiz os laços dos tênis.
“ - A desgraçada caiu dentro da caixa d"água. Quando minha esposa veio pedir ajuda para tirá-la de lá, não resisti:
" - Bota a velha pra quarar, minha filha!"- e deu uma gargalhada daquelas, a la Jorge Carneiro da Cunha.
No elevador do Edifício Zykatz, no Cais José Mariano, onde trabalhei por quase dez anos, ouvi a seguinte conversa entre dois homens de paletó e gravata, na faixa dos quarenta anos.
“ - Soubeste de Paco?”
“ - Não! O que houve?” “Ele pegou a sacana da mulher dele em flagrante com o vizinho.”
“ - E daí?”
E daí que os dois homens saíram do elevador no primeiro andar, deixando a história sem final (tipo: continua no próximo capítulo, no Dia de São Nunca). Não tive dúvida. Pedi a Edson, o ascensorista, para, quando os homens descessem, perguntar sobre o desfecho do caso. No final do expediente, fui cobrar de Edson. !
- E aí?”
“ - E aí que Paco se deu bem, mandou a mulher embora e casou com a irmã dela, seis anos mais nova.” Por conta de um rabo de conversa, o pintor José Cláudio me disse que achava que tinha salvo uma vida. Aliás, uma, não, duas. Uma ia ser assassinada. E a outra, a do assassino, ia penar na cadeia. Zé pegou um táxi no centro da cidade para ir ao dentista, Romildo Souza, em Piedade. Quando estava na metade do caminho, o motorista, um homem já entrado nos sessenta, cara saudável e bem afeiçoado, atendeu o celular com voz pausada e mansa:
´“ - Você sabe muito bem que só há um jeito de um homem limpar a sua honra”. E desligou o telefone. A história ia ficar por aí, sem começo nem fim, se Zé não tivesse percebido a gravidade do que acabara de escutar. E deu a deixa:
“ - Tá com algum problema, amigo?”
Era tudo que o motorista queria e precisava ouvir, para contar sua história desde o princípio. “ - Desculpe, mas eu sinto que posso confiar no senhor. Estou em vésperas de cometer um desatino. Tenho um romance com uma moça desde que ela tinha dezesseis anos, hoje está com vinte e oito. Ela sempre soube que eu era casado.
Dei-lhe tudo do bom e do melhor, nunca lhe faltou nada. Casa, comida, roupa lavada, até um carrinho, comprei pra ela outro dia. Agora, veio com uma conversa de que quer casar e ter filho. Aí tem! E um homem não pode ser traído e deixar por isso mesmo.” Zé o interrompeu:
“ - Quem foi que deu ao outro tudo do bom e do melhor? O senhor, que comprou o que deu a ela, ou ela, que lhe deu os melhores anos de sua juventude?” O motorista ficou em silêncio. Zé continuou:
“ - A vida está lhe dando a oportunidade de agir como um homem de verdade. Não perca essa chance. Retribua parte do que você recebeu. Procure saber o que ela precisa para ser feliz. Dê o enxoval do casamento, a casa que ela mora e tudo mais que o senhor possa dar.” Silêncio absoluto.
No final da corrida, o motorista se recusou a receber: “Se alguém aqui deve alguma coisa, sou eu que devo ao senhor.” Os jornais não noticiaram o casamento da moça. Mas, também, não estamparam em manchete: “Taxista mata a amante e é preso.”
Quem disse que em briga de homem e mulher não se deve meter a colher?
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Vinício de Moral Mário Castelar
"Ontem almocei com meus colegas de CENP - Conselho Executivo das Normas Padrão. Entidade guardiã das normas que regulam o relacionamento Agências - Clientes - Meios. Subitamente estávamos falando do passado.
Lembrando Dr. Geraldo Alonso, Adolfo Bloch e outros "pioneiros" da propaganda brasileira. Histórias engraçadas de coragem, sinceridade, esperteza, malícia e romantismo (a profissão já foi romântica).
Rimos o maior tempo e ficamos sérios "como crianças a jogar as cinco pedrinhas nos degraus da casa". Quase como um verso de Fernando Pessoa.
Muito bom comer com colegas, lembrar, rir, refletir e aprender.
À tarde Carlos Roberto - Gordo - trouxe uma garrafa de cachaça de presente para nos ajudar a "argumentar com doçura", como nos ensinou Vinicius de Morais, o poeta plural (se fosse singular seria Vinicio de Moral).
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Comentário de Décio Gentil
em 31 julho de 2010
Castelar, como nasci-cresci-aprendi na Norton, você me fez lembrar uma história que corria nos bastidores da agência naquela época.
Estou falando dos anos 70. Diz a lenda (verdadeira) que o Dr. Geraldo corria os andares da Norton apresentando a agência para um séquito de clientes.
Coisa que ele adorava fazer.
Entra num departamento, entra em outro, até que chega na porta do pessoal da pesquisa. Faltam 10 minutos para o meio dia. O Dr. Geraldo anuncia:
" - Agora, vocês vão conhecer o maior departamento de pesquisa do Brasil.
Ele abre a porta e o salão está completamente vazio. Sem se perturbar, o velho Geraldo emenda:
" - Pesquisa é isso aí, todo mundo na rua para ver e conhecer a opinião do povo...
Impagável! Mais uma lição de inteligência e perspicácia que nos faz lembrar de Geraldo Alonso com tanto carinho.
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O cão e o gato
Carlos Heitor Cony "É comum, na vida de um escritor profissional, passar por vexames às vezes contra, às vezes a favor de sua atividade. Já fui confundido com Nelson Rodrigues, Fernando Sabino e Sérgio Porto.
No início eu tentava corrigir o engano, não esta obra não é minha, mas com a repetição do equívoco, fui me habituando. Quando me elogiam pelo fato de ter escrito ´Toda nudez será castigada`, respondo modestamente: não é das minhas melhores coisas.
Não faz muito, em Belo Horizonte, um senhora me cumprimentou pelo fato de ter dito ou escrito esta frase: ´A máquina de escrever é um cão, o computador é um gato`. A frase é boa, eu gostaria de assinar embaixo, mas não é minha, honestamente, não sei de quem é.
Entrando no mérito: realmente, a velha e aposentada máquina de escrever tinha com o dono a fidelidade de um cão. Nunca o traía, estava sempre a seu serviço. Fazendo uma porcaria ou uma obra prima, ela o obedecia, não tomava a iniciativa de ajudar, de o corrigir, de o completar.
O computador tem o charme de um gato, que os egípcios adoravam como deus e como Guimarães Rosa achava que tinha a fonte da sabedoria.
Mas os gatos têm vida e responsabilidade próprias, dão bola ao dono quando querem, quando estão dispostos. Tendem a ser independentes, a se virarem sozinhos.
O computador é assim, não chega a ser rebelde (às vezes é), mas está programado para uma vida particular.
Recusa-se a obedecer, a se aliar ao dono, busca e encontra caminhos próprios, oferece o que não queremos e geralmente nega o que precisamos.
O universo virtual da informática tem o fascínio de um gato angorá, de uma gata lasciva deolhos fosforescentes. Preciso dela, mas evito me envolver demais, submeter-me ao seu encanto.
Publicado na Folha de São Paulo, 30/5/2010 )
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Curso rápido de análise sintática
Filho da puta é adjunto adnominal (ou paronomástico), se for "conheci um juiz filho da puta". Se for "o juiz é um filho da puta", daí é predicativo.
Agora, se for "esse filho da puta é um juiz", daí é sujeito. Porém, se o cara aponta uma arma para a testa do juiz e diz:
"Agora nega a liminar, filho da puta!" - daí é vocativo. Finalmente, se for: "O ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, aquele filho da puta, desviou o dinheiro da obra pública tal" - daí é aposto.
(Nota do Colunista: - Que língua, a nossa, não?)
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Defesa em cordel
Adv. César Vladimir Bomfim Rocha
De número 201000901221, tramita na Turma Recursal do Tribunal de Justiça de Sergipe um inusitado pedido de Habeas Corpus, assinado pelo advogado Cesar Vladimir Bomfim Rocha, em favor do também advogado José Gomes de Britto Neto. Toda composta em literatura de cordel, a peça já recebeu parecer do Ministério Público Estadual pelo trancamento da Ação Penal. Veja, a seguir, o teor do HC:
"Excelência me perdoe;
A forma da narração;
O humor um pouco agreste;
Dessa minha explanação.
É coisa de nordestino,
E ranço da profissão.
Desconsidere, Excelência;
A métrica e a’amarração. E perdoe o impetrante;
Pela forma de Expressão.
Venho em nome de um amigo;
Colega de Profissão. Processado injustamente;
Por injúria e difamação. Peço por ele Excelência;
Não por ele reclamar. O colega é competente;
Ninguém precisa’ajudar. É mais pelo desaforo;
Da injustiça em questão. Do que por necessidade;
Por carência ou “percisão”. Vida de advogado;
É vida cheia de espinho. É problema todo dia;
Do imenso ao miudinho. É briga de cachorro grande;
É briga de passarinho. É causa de 1 milhão;
É causa de dez continho. É causa de todo tipo;
Na mão de um só padrinho. Tem umas que’até dá gosto;
Que se ganha um dinheirinho. Têm outras que só problema;
Não dá pro pão nem pro vinho. É marido aperreado;
É marido “pianinho”. É mulher cheia de ódio;
É mulher com ciuminho. É mulher que apanha e fala;
É marido caladinho. No Fórum tudo se acha;
Lá tem de tudo um pouquinho. É cabra safado mentindo;
É homem de bem no cantinho. É briga de empresário;
Desavença de vizinho. É promotor endeusado;
É promotor centradinho. É colega ignorante;
É advogado bonzinho. Tem gente de todo tipo;
O errado e o certinho. Tem cabra frouxo; valente;
Tem corajoso, pimpão. Mulher casada com homem;
Tem Maria Machadão. Tem gente de todo tipo;
Tem uns que presta; Outros não. Tem Magistrado elegante;
De tarimba e precisão. Tem Promotor preparado;
Uns assim, outros não. Tem moça reboculosa;
Que vai lá pra aparecer. Tem perfume inebriante;
Do caboclo enlouquecer. Quem nunca viu tá perdendo;
Quem duvidar, vá lá ver. Lá tem também passarela;
Pras moçoilas desfilar. Amigo pra bater papo;
Desafeto pra xingar. Cafezinho e boa prosa;
Num precisa procurar. Quem vai ao Fórum, Excelência;
De tudo vai encontrar Lá tem mulher feia;
Da ruindade do coração. A maldade toma conta;
Ficam fracas de feição. A pele fica enrugada;
Se engilham os dedos da mão. Faz mais medo do’que’a seca;
Quando chega no sertão. É pior que jegue velho;
É pior que assombração. Pior que cacimba seca;
Pior que espinho na mão. Feiúra dessa, Excelência;
É coisa de se espantar. É melhor fitar Medusa;
É em pedra se tornar. Do que c’uma bruxa dessas;
O caboclo se’encontrar. Num pense que exagero;
Isso que eu vou narrar. Mulher feia de ruindade;
É coisa pra se evitar. A língua é afiada;
Como corte de facão. “Os cabelo” é assanhado;
Como ninho de gavião. A ganância é sem limite;
Até os ‘zóio’ é cifrão. As vezes eu me pergunto;
Se é causa ou conseqüência. Se a maldade é da feiúra;
Se é sintoma ou doença. Falando nela, Excelência;
Faça prece e oração. Reze o Credo e a Ave Maria;
E rogue por salvação. Desconjuro. Vade-retro;
De cruz segura na mão. Invoque tudo que é Santo;
Prá não ver aparição. Tem mulher que é assim;
A ruindade nunca acaba. É filme de Hitchcok;
É como “trama macabra”. Quando vejo, corro logo;
Tenho medo dessa praga. Eu não quero nem negócio,
Com essa tal... (não achei a rima) (Ô tentação!!)
Mas o Fórum é assim mesmo;
Vou parar de reclamar. Tem as belas, tem as feias;

Cabra tem que acostumar. Advogar é uma festa;
Tem tempestade e trovão. Mas também tem calmaria;
E hora de diversão. Mas agora, Excelência;
A coisa quer complicar. Tá ficando perigoso;
O caboclo advogar. Tem gente se incomodando;
Com a forma de falar. É só pra ganhar dinheiro;
Sem nada para invocar. Presta queixa do sujeito;
Querendo lhe processar. O Advogado, Excelência;
Tem que lê, ver e falar. O relativo ao processo;
É livre pra se expressar. O limite, Excelência;
É fácil de se encontrar. Só não pode rogar praga;

Trocar sopapo e xingar. Mas pra dizer o que pensa;
Não precisa permissão. Narrar com vigor os fatos;
É a sua obrigação. Se a moda pega, Excelência;
A verdade vai se esconder. E o que acontece na lide;
Ninguém vai poder dizer. Esse impetrante, coitado;
Vai sair da OAB. Vai comprar uma viola;
Fazer verso pra viver. Vai fechar o escritório;
E vai pra feira vender. A querelante, Excelência;
Atuando sem razão. Entendendo criminosas;
Trechos duma citação. Nomeou Advogado,
Pra fazer reclamação. Prá não ser repetitivo;
E’alongar a petição. Remeto Vossa Excelência;
Ao qu’ela disse n’ação. Onde tudo tá transcrito;
Com clareza e precisão. Nada lá é calúnia;
Injúria ou difamação. E, excluída, a primeira;
É coisa da profissão. O Advogado é imune;
Pra poder se espernear. Pra falar duro, efusivo;
Não pode se acovardar. E relativo ao processo;
Não pode é caluniar. A verdade mal narrada;
Sem riqueza e emoção; Sem sentimento; amornada;
Sem amor e sem paixão;
Deixa a tela preto e branco;
Lhe retira a precisão. E o colega nada disse;
Que pudesse ofender. Não há crime na peça;
Qualquer cristão pode ler. Restou-me agora, Excelência;
Com esperança e humor. Socorrer o bom amigo;
Vim acudir o doutor. Foi dada entrada na queixa;
E marcada a transação. Audiência dia 7;
Nas festas de São João. E, socorrendo o amigo,
Processado sem razão. Impetro esse Habeas Corpus,
Pra trancar aquela ação. Sei que o feito, embora simples;
Demora um pouco prá’andar. Tem muita coisa pra ler;
Tem que dar vista; Estudar. A pauta tá sempre cheia;
Muita coisa pra olhar. Sabendo de tudo isso;
Pra prejuízo evitar.
Fiz também requerimento;
De concessão liminar. Narrados estão os fatos;
O direito vou buscar. Explicados os motivos;
Do pedido de trancar. Com respeito lhe envio;
Esse HC pra julgar. O pedido, Excelência; Vou logo lhe adiantar. É trancar a ação penal, Liberdade preservar. Garantir o ir e vir;
E o livre caminhar. Deixar o dileto amigo, Livre pra advogar.
Liminarmente, Excelência; Venho logo requerer. Que conceda o Habeas Corpus;
Para o feito suspender. Impedir a transação;
om data pra’acontecer. No dia do julgamento;
Eu venho aqui sustentar. Trago escudo e armadura;
Sal grosso, bom patuá. Só não trago e viola,
Porque ainda não sei tocar. Dependendo de quem “teja”;a platéia a escutar.
Trago também um escudo;
Para pedra eu não virar. E usando da artimanha;
Que um dia usou Perseu. Fico olhando de soslaio;
O bibelô de asmodeu. O número do processo;
Vou agora adiantar. 2010 é o ano; (Já comecei a falar).
45 a seguir; (Escrivão pode anotar). 1006 vem adiante;
(Tô com pressa de acabar). Com 04 eu encerro;
O feito pra se trancar.
O paciente Excelência;
O nome vou revelar. José Gomes (no começo);
De Britto (de Própria). Neto é o complemento;
De quem quero amparar. Os documentos, Excelência;
Acabei de Anexar. Lá, tudo que tá escrito;
Vosmicê vai confirmar. Ratifico meu pedido;
De tutela liminar. Prá, no mérito, Excelência; Aquela queixa trancar.
Com respeito me despeço;
Não vou mais lhe incomodar. Já me alonguei o bastante;
Tô quase pra terminar. Só falta dizer a data;
Bater carimbo e assinar. Aracaju é’a cidade;
Dessa minha explanação. Já tá terminando maio;
Já tâmo em pleno São João. E lhe rogando justiça;
Eu encerro a petição”.
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A coluna de hoje agradece a colaboração dos correspondentes
e amigos Joca de Souza Leão, cronista e publicitário do
Jornal do Commercio de Recife, jornalista José Torres, de Caruaru/Pe,
Mário Castelar e Décio Gentil, publicitários de São Paulo,
Ayrton Rocha jornalista de Fortaleza/Ce, advogado César Vladimir Bomfim Rocha,
de Aracajo/Se e a participação especial do cronista Carlos Heitor Cony,
do Rio de Janeiro (copyright Folha de S.Paulo).