Caleidoscópio, aquele brinquedinho que abre para a nossa vista de
criança as mil possibilidades e combinações de luzes, formas e cores
dentro de um cilindro, cabe muito bem na comparação com o idioma pátrio
no caso do uso da vírgula. A cada mudança de posição, cambiam-se
infinitos sentidos e mutações, numa rica composição.
Vejam só com esta história de bastidores do Direito que nos envia o colaborador Giovanni Mastroianni:
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Aí varia...
Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta. Escreveu assim:
“Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres”.
Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava a fortuna? Eram quatro concorrentes.
1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:
- “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta
do padeiro. Nada dou aos pobres”.
2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:
- “Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres”.
3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:
- “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
4) Aí, chegaram os descamisados da cidade.. Um deles, sabido, fez esta interpretação:
- “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.
Moral da história
"A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua pontuação. E isso faz toda a diferença..."
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Avatar e a represa de Belo Monte
E
por falar em interpretar à sua maneira, gostaria de abaixo reproduzir o
artigo do meu amigo, médico e escritor caririense, precisamente da
Batateira do Crato, José do Vale Pinheiro Feitosa, residente no Rio de
Janeiro, que tem uma visão muito límpida sobre as intenções do diretor
James Cameron com a metáfora do filme “Avatar”, sucesso de bilheteria,
que estreou em abril no circuito doméstico, DVD, repetindo o sucesso
estrondoso de público das salas de tela grande.
Cameron,
na visão de Zé do Vale, é apenas mais um americano que, depois de matar
seus índios e devastar suas próprias florestas, "arvora-se" agora em
defensor da floresta alheia (Amazônia), contra o desenvolvimento alheio
(represa de Belo Monte, no Xingu). Leia seu artigo. Muito bom:
Avatar
José do Vale Pinheiro Feitosa
1 Rubrica: religião.
na crença hinduísta, descida de um ser divino à terra, em forma materializada
[Particularmente cultuados pelos hindus são Krishna e Rama, avatares do
deus Vixnu; os avatares podem assumir a forma humana ou a de um animal.]
2 processo metamórfico; transformação, mutação
“James Cameron's epic motion picture, Avatar”.
“Com
tais palavras o site oficial do filme explica a que veio. Com todas as
suas metáforas, fantasias, lendas das forjas de Hollywood, o
pretensioso se mostra muito aquém (ou além) do resultado.
É um filme pipoca, bebe nas águas de Walt Disney, mergulha nos diversos
´Guerra nas Estrelas` e emerge, quase faltando o fôlego, com o discurso
oficial da sociedade americana. Qual discurso?
Da sociedade e dos governos do hemisfério Norte. As riquezas materiais do território do Sul não podem ser exploradas.
Tudo aquilo que antes era reserva ao sul do Equador, deve permanecer como tal para um futuro uso dos habitantes do Norte.
Não é esta a metáfora direta. Geraria revolta ao Sul e quem sabe até ao
Norte. É a metáfora indireta, aquela que, por travessa, diz o
essencial: não toquem nisso que não é de vocês, é nosso.
É a posse ´internacional` do território que antes ainda era tido como o
inviolável das nações. A Amazônia é deles, o petróleo do pré-sal,
também, o que é nosso é o subdesenvolvimento e a pobreza. Vamos olhar
para o Avatar James Cameron: numa manifestação, internacional, contra a
construção da hidrelétrica de Belo Monte.
Bem aqui no território nacional, junto a quem de direito e com o espírito, não metafórico, da mídia amiga do imperialismo.
Agora vamos à qualidade do discurso hollywoodiano tanto de Al Gore quanto este recente de Cameron.
Aliás, se encontra mais explicitamente no filme 2012, quando o mundo é
salvo, com uma arca de Noé moderna, construída para salvar apenas os
espécimes do G8. Deve ter sido roteirizado e filmado antes da crise que
caiu no colo deles com mais vigor que o argumento do filme.
É
um discurso tipicamente de psicologia social, disfarçado de bem comum,
para defender a reserva da qualidade de vida das sociedades avançadas,
que consomem escalas assombrosas da energia do planeta e dos seus
recursos minerais não renováveis e aqueles renováveis.
Falam do bem comum com aquele direito de intervir no outro, preservando o seu modo como herança de privilégio.
Ora eles têm que pagar mais pelo que nos tiram. Devem consumir menos do que estragam para que, também, possamos.
Precisamos de água limpa, escola decente, saúde coletiva, moradia de
qualidade, melhorar enormemente as nossas cidades, articular a malha de
transporte numa escala centenas de vez maior do que a de hoje.
A metáfora deles corrompe os jovens e vicia os que desistiram das próprias pernas.
O ´Avatar` não é nossa fantasia. É, sobretudo, o processo metamórfico,
ou a mutação do discurso imperialista como modo de preparar o futuro
exclusivo para eles.
E o futuro deles não é tão distante assim.
Amanhã virá o segundo capítulo com a exploração dos recursos.”
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Advogados: enfim, elogios
Outro colaborador contumaz da coluna, jornalista pernambucano José
Torres, nos manda, garimpada como coisa verdadeiramente achado, um
elogio sincero feito por um estudante à classe dos advogados, vítima
costumeira das tiradas de humor de A TORTO & A DIREITO, a coluna
que não perde leitores com isso, pois até ganha, já que está na
essência do bom profissional de advocacia viver intensamente os dois
lados da verdade.
Por
isso mesmo, advogados se divertem com as piadas da coluna, como não se
cansam de elogiar, alimentando minha indisfarçável vaidade, leitores de
peso como os juizes Judicael Sudário e Mantovani Colares, e os
advogados como Darlene Braga (foto), uma das mais admiradas do Ceará,
André Studart, Sabino Henrique, Leonardo Carvalho, Roberto Victor,
Djalma Pinto e outros.
Mas, vamos ao episódio:
“Enquanto minha mulher estava no interior da loja Ferreira Costa
tentando comprar algo que lhe interessava, fiquei folheando os livros
que são arrecadados pela referida loja para posterior doação às escolas
públicas.
Dei de cara com uma edição da Ciranda Literária - 2002 , editado pelo
Colégio Atual com trabalhos efetuados por seus alunos de 5ª, 6ª, 7ª e
8ª séries, em prosa e verso. Eis o que pesquei:
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O advogado
“Cabeça de gênio
Processo na mão
Todo dia no escritório
Trabalhando ou não
Na tela do computador
O nome dos clientes
Ele só existe para ajudar a gente
Monta a defesa para a causa ganhar
Para o Tribunal ele vai
Esperar o cliente chegar
E a audiência começar.
Foi marcada outra audiência
Ele tem que ter paciência
Volta para o escritório
Termina o dia atendendo
Clientes que não param de chegar
A lua a brilhar
E o advogado está lá
Voltando para casa
Para sua família encontrar”.
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N.R. - Pode ser ingênuo. Mas é verdadeiro.
Autor: Fernando Antônio da Silva Flho - 6ª série
Colégio Atual, de Olinda/Pe.
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Jesus no SUS
Para a encerrar, vamos a uma tirada de humor antológica: Jesus no SUS. Uma piada digna de um feliz fim de semana:
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Troca de plantão
Jesus Cristo resolveu voltar a Terra e decidiu vir vestido de
médico! Procurou um lugar para descer e escolheu, no Brasil, um posto
de saúde do SUS.
Viu um médico trabalhando há muitas horas e morrendo de cansaço.
Jesus entrou, de jaleco, passando pela fila de pacientes no
corredor, até atingir o consultório médico.
Os pacientes viram e falaram:
- “Olha aí, vai trocar o plantão”!
Jesus Cristo entrou na sala e falou para o colega que este poderia ir embora pois ele iria continuar o seu trabalho.
E, todo resoluto, gritou:
- "O próximo!!!"
Entrou no consultório, um homem paraplégico em sua cadeira de rodas.
Jesus Cristo levantou- se, olhou para o aleijado e, com a palma da mão direita sobre sua cabeça,disse:
- "Levanta-te e anda!"
O homem levantou-se, andou e saiu do consultório empurrando a
própria cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o próximo da
fila perguntou
- "E aí, como é esse doutor novo?"
Ele respondeu:
"Igualzinho aos outros... Nem examina a gente!
Moral da história
Tem gente que já recebeu o milagre, mas nem se toca, pois só vive pra reclamar ou botar defeito em tudo nesta vida!