13.04.2010

Vamos
lá. Eu sou locutor, desde os 13 anos de idade, quando iniciei o
programa experimental “Esperanças do Brasil”, de cunho estudantil,
através de Rádio Difusora de Caruaru, minha terra natal. De lá para cá,
são mais de 50 anos de experiência em microfone, o que me faz, em
princípio, uma pessoa diferente das demais. Digamos, mais ligada nesses
aspectos que um cidadão comum. Ledo engano. Acabo de verificar, por uma
série de textos que me caíram à mão, que tem muita gente mais com os
ouvidos atentos ao problema.
Hoje
os nossos Bompreço, Carrefour, Pão de Açúcar, Extra e Center Box vem se
transformado em primos ricos dos armazéns da General Sampaio, Beco da
Poeira e Major Facundo, em Fortaleza; das feiras dos tecidos da Baixa
dos Sapateiros, em Salvador; dos tabuleiros da Rua Direita, Duque de
Caxias ou São José, no Recife.
E
a performance vocal dos rapazes? Ai, coitados. Todos talhados no tom
dos seus colegas de FMs comerciais, cópias pioradas de um padrão de voz
impostada e nasalada. “Gentem!!! Aproveite as ofertas do balcão
frios.” Aí, nesse ponto, você torce para não aparecer na frase uma
coisa tipo “mor-tan-dela” ou “sal-chi-cha”, o que não acontece só por
milagre.
Bem,
e por que considero desonestas algumas ofertas? Porque, atrás de um
preço menor, geralmente se esconde problemas graves de qualidade no
produto. Dou como exemplo o Bompreço, que, certa vez, ofereceu o quilo
do feijão carioquinha por R$ 0,99; e, ao verificarmos em casa, havia
pelo menos 3 diferentes espécies de grãos no mesmo saco (carioquinha,
corda e fradinho), sem falar em algumas estranhas sementes de milho
(!), tudo junto. No Extra, entrei no apelo de um extraordinariamente
generoso pedaço de Coxão Duro e... levei. O preço realmente
compensador. Em casa, no assado, a carne mostrou-se de estranha
consistência e amarga, sinal de afetação em sua conservação.
“Para
quem ainda desconhece que Simancol não é um produto de limpeza,
esclareço ser invenção antiga de humoristas do quotidiano para designar
um remédio que curaria certos comportamentos indesejáveis, demonstrados
persistentemente, seja por ignorância, seja por teimosia. Daí dizer-se
que alguém precisa ´tomar chá de Simancol`, a fim de se mancar. Ou que
´Fulano não tem mancômetro` - um hipotético medidor de razoabilidade
para mostrar ao contumaz até onde deve ir e quando está bom de parar.
Os
supermercados demonstram carência de mancômetro ao manter, como tática
de vendas, o assédio auditivo a seus clientes, anunciando
incessantemente produtos dentro das lojas. O bla-bla-bla vem com
impostação de voz de animador de auditório ou palhaço de circo, usando
surrados bordões:
O
esgotamento físico e mental depois da ida ao supermercado pode ser
atribuído à má circulação do ar e à poluição sonora. Nem toda ideia de
marqueteiro bem-intencionado é boa. Um espaço de loja abarrotado de
som, com assédio comercial de duvidosa eficácia é uma ideia genial?
Diretores e gerentes dessas macro-lojas precisam tomar Simancol. Estão
aí as novas disposições do Ministério Público em prol de ambientes
despoluídos de sons tóxicos, como as mensagens publicitárias impostas
em lojas e ruas.
“A
propósito de poluição sonora em supermercados, abordada pela amiga
Tereza Halliday e pelo mano Giuseppe, creio que, involuntariamente,
fiz, pelo menos um desses locutores, procurar outra profissão. Aliás,
era uma locutora. Acredito que hoje não é mais. E explico o porquê
nessa ´estorinha`: certa moça, metida a intelectual, passava o dia
anunciando, em um desses ´empórios`: ´produto tal com duzentas gramas`,
´produto qual com trezentas gramas` e assim ela distribuía
quatrocentas, quinhentas etc. gramas para todo mundo.
Também,
não resolvia ela prometer que iria se ´policiar`, pois bastava eu
entrar de surpresa no supermercado e ela já estava agredindo os
clientes, convidando-os a comprar ´grama` para degustarem em casa.
Tereza: