A
TORTO & A DIREITO hoje, mais do que nunca merece o nome que tem,
porque vamos fazer uma miscelânea de assuntos que não guardam
absolutamente nada uns com os outros.
Estamos apenas pinçando contribuições recebidas pela coluna de vários
colaboradores e tentando fazer um novo conteúdo atraente para os
leitores do portal.
Para atrair com o açúcar do humor, iniciemos com um artigo escrito pelo
meu irmão, advogado e jornalista pernambucano Giovanni Mastroianni,
colaborador do Diário de Pernambuco, um dos dois maiores e mais
tradicionais veículos de comunicação do estado, tão somente “o mais
antigo jornal em circulação na América Latina”, que pertence à antiga
cadeia Associada, de Assis Chateaubriand, dirigido nesses tempos
modernos pelo meu velho companheiro de publicidade Joezil Barros.
Giovanni
Mastroianni escreveu um texto sobre o farmacêutico do nosso tempo na
cidade de Caruaru, interior de Pernambuco, a 134 km do Recife, o Major
Sinval, da Pharmacia Franceza, assim com “PH” e “Z”, que funcionava
numa das esquinas da Praça do Commercio, esta, por sua vez, assim com
dois “M”, como até hoje se escreve o título do outro grande jornal
pernambucano, o Jornal do Commercio.
Mas, vamos conhecer o folclórico Major Sinval? Ei-lo, em doses homeopáticas e fitoterápicas da farmacopéia brasileira:
Major Sinval - médico, poeta e louco
Giovanni Mastroianni
“Jornalista
atuante, nos anos 60, recebi a missão de publicar uma página inteira de
jornal com matéria exclusivamente dedicada ao ´Major Sinval`. Para
aqueles que não conheceram ou não ouviram falar desse personagem,
esclareço que seu nome de batismo é Sinval de Carvalho Santos e o de
´guerra` Seu Major, conforme registra o saudoso historiador Nelson
Barbalho.
Aliás, baseado na obra daquele escritor caruaruense, que inspirou o
título e evidentemente o mote deste meu artigo, é que posso hoje, meio
século depois, descrever um pouco da vida e das ´tiradas` de ´Sinval da
Farmácia`, como era mais conhecido, denominação essa que lhe foi dada
pelo médico Geminiano Campos, clínico muito popular em Caruaru e que,
igualmente, mereceu de minha parte uma destacada reportagem, com
direito a fotografias e tudo mais.
Major Sinval era farmacêutico, embora não diplomado, apenas formado na ´escola da vida`.
Quem quisesse localizá-lo ou realizar suas consultas, certamente iria
encontrá-lo, fizesse chuva ou sol, na ´Pharmacia Franceza`, com Ph, sem
acento no a e com z, quase no final da palavra.
Dominando bem a farmacopéia brasileira, ou seja, o catálogo de fórmulas
das drogas, sua nomenclatura e processos de preparo, além de tornar-se
sócio da Pharmacia Franceza, assumiu a responsabilidade da botica, onde
suas caçoadas eram constantes e agora lembrados. Aliás, se não estou
enganado, o título de meu velho artigo foi ´De médico, poeta e louco`.
Major
Sinval foi um pouco de tudo isso. Eis, aqui, alguns de seus causos,
acontecidos no balcão de sua ´pharmacia´, com a calma que o
caracterizava e a malícia que nunca se separava dele, anotados pelo
velho Nelson Barbalho.
Sinval, pilheriando, aconselhava a um tabaréu (caipira, matuto): que lhe consultava:
- Tem sarta pra riba do bicho?
- Tem, quantos quer?
- Um frasco.
Com a maior naturalidade, Sinval ia direto à prateleira do
"Salsaparrilha de Brístol", despachando o velho freguês, que saía
contente e certo de não haver largado alguma besteira.
Em outra ocasião, uma senhora bastante conhecida afirmava que seu
marido, padecendo de muitas dores, passara a noite gritando. Asseverava
que por isso ela há três noites não dormia com o marido gemendo.
Sinval, indagava:
- E com quem a senhora está dormindo agora?.
Um
matuto sarnento, certa vez, pediu-lhe um bom remédio, desde que fosse
de graça, para seu mal. De imediato, Major Sinval, sem titubear,
retrucou:
- Desse jeito, meu amigo, o melhor remédio pra coceira está em sua mão.
- E qual é?`
- Unha!´
Uma miserável prostituta, portadora de corrimento vaginal, apareceu na
Franceza, relatando seu mal e solicitando remédio. Sinval preparava-lhe
a meizinha, que custava 25 mil reis. A pobre se assustou: e disse: "
Vinte e cinco, Major? Faça vinte, pois estou parada há não sei quantos
dias e ando lisa que só prato da banda de música´. Humano, como sempre
foi, Major Sinval aquiesceu, enquanto que a mulher, pagando o devido,
confessava:
- Esses vinte mil reis, Major, eu arrumei no pé da goela!
Com muita ironia, todavia, Sinval indagava:
- Ou no pé da barriga?
Agora,
um pouco do poeta, referindo-se a um cego: ´ meurimão me dê uma esmola,
num tenha pena de dá, s'eu tivesse a luz duzóio, num vevia a mendigá´.
E retrucava: ´Deus le pague a esmola, Deus lê dê com que passar. Vosmicê e a famia nunca hão de mendigar.´
Esse foi o ´Major Sinval´. Foi também um pedacinho de Nelson Barbalho, seu maior intérprete.´”
opiniao.artigo.pe@dpbr.com.br
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A advogada e o surdo-mudo
Um chefão da Máfia descobriu que seu contador havia desviado dez milhões de dólares do caixa.
O contador era surdo-mudo, por isto fora admitido, pois nada poderia
ouvir e em caso de um eventual processo, não poderia depor como
testemunha.
Quando o chefão foi dar um arrocho nele sobre os US$10 milhões, levou
junto sua advogada, que sabia a linguagem de sinais dos surdos-mudos.
O chefão perguntou ao contador:
- Onde estão os U$10 milhões que você levou?
A advogada, usando a linguagem dos sinais, transmitiu a pergunta ao contador que logo respondeu (em sinais):
- Eu não sei do que vocês estão falando.
A advogada traduziu para o chefão:
- Ele disse não saber do que se trata.
O mafioso sacou uma pistola 45 e encostou-a na testa do contador, gritando:
- Pergunte a ele de novo!
A advogada, sinalizando, disse ao infeliz:
- Ele vai te matar se você não contar onde está o dinheiro!
O contador sinalizou em resposta:
- OK, vocês venceram, o dinheiro está numa valise marrom de couro, que
está enterrada no quintal da casa de meu primo Enzo, no nº 400, da Rua
26, quadra 8, no bairro Santa Marta!
O mafioso perguntou para advogada:
- O que ele disse?
A advogada respondeu:
- Ele disse que não tem medo de viado e que você não é macho o bastante para puxar o gatilho, seu corno!