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02.02.2010

A TORTO & A DIREITO No 75

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A TORTO & A DIREITO No 75
              
                                                                   BBB é que está “No Limite”


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A Globo que me perdoe, mas “No Limite” está ficando é este tal de Big Brother Brasil. A ponto de arranhar seriamente a imagem de um apresentador da qualidade do jornalista Pedro Bial, um intelectual que se passa ao papel de condutor de um show que ultrapassou  os limites do tolerável em banalidade e esperteza, tanto dos participantes como dos promotores, no caso a emissora.
 
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Vamos ser claros. Nada temos contra a Globo que, na média, é mil por cento em quase tudo que faz, inclusive no capítulo do cultural, do educativo, da boa dramaturgia, da responsabilidade social etc. Mas, paciência, nem tudo é perfeito.
 
Então, vem um poeta popular como Antônio Barreto, de Santa Bárbara, Bahia, residente em Salvador, e sapeca um cordel como este, de fazer corar o célebre repórter, ele próprio, Bial, um bom entendedor de poesias para saber que “a voz do povo é a voz de Deus”:

                                                            
 
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                                                                      Big Brother Brasil

                                                                                        Antonio Barreto


http://direitoce.com.br/images/stories/sergio_e_dicesar_beijo_homo_bbb-jan2010.jpgCurtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

http://direitoce.com.br/images/stories/bbb_nus_underwater.jpgEm frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

http://direitoce.com.br/images/stories/pedro_bial_bbb_sentado_no_logo_jan_2010.jpgMuitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo heroi, povo guerreiro.

http://direitoce.com.br/images/stories/priscila_bbb_2009.jpgEnquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

http://direitoce.com.br/images/stories/pamela_bbb.jpgÉ grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

http://direitoce.com.br/images/stories/pedro_bial_big_brother_brasil_2010.jpgE quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual..

http://direitoce.com.br/images/stories/dicesar_homo_bbb_2010.jpgCadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…


                                                                
 
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                                                                  Uma crônica e uma foto
 
 
Temos nos ocupado muito pouco ou quase nada com o Haiti. Creio que nunca chegamos a focalizar aquela grande tragédia nesse espaço. Hoje, no entanto, queremos dedicar um pouco de A TORTO & A DIREITO a uma crônica que reflete toda a agonia que devem ter passado os sobreviventes do desastre, como um pequeno personagem, o negrnho Kiki, salvo gloriosamente, com um largo sorriso, muitos dias depois, em meio aos escombros. Leia a crônica de Ruy Guerra e veja a foto de Kiki. Uma coisa puxa a outra:
 
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                                                               Terror sob os escombros

                                                                                                                                    Ruy Castro


“Se você se sente esquisito ao penetrar naquele tubo para fazer uma inofensiva ressonância magnética -- algo lhe diz que podem esquecê-lo lá dentro e só virem resgatá-lo depois do Carnaval --, imagine o que é estar vivo e soterrado no Haiti, 15 dias depois do terremoto, sem comida, sem água, sem qualquer perspectiva de que venham salvá-lo ou haja equipes trabalhando nisso, ou mesmo que saibam que você está ali.

Quinze dias soterrado equivalem a 21.600 minutos, ou 1.296.000 segundos, sem sequer saber o que aconteceu à sua volta -- para todos os efeitos, pode ter sido o bujão de cozinha que explodiu --, que um tremor destruiu sua cidade e matou pelo menos 150 mil pessoas e que o mundo inteiro tenta ajudar. A angústia se dá minuto a minuto. Para ter uma ideia, marque no relógio quanto custa um minuto para passar. Ou um segundo.

Depois de duas semanas presas, duas meninas, 16 e 14 anos, foram retiradas de sob os escombros nos últimos dias. Antes delas, no 11º dia, foi um homem de 24 anos, que teve a sorte de ficar sob os destroços de um supermercado -- pelo menos tinha toda espécie de porcarias e refrigerantes para sobreviver. Mas outro, de 22 anos, resgatado no 10º dia, apesar de estar num bolsão de ar formado pelos móveis que caíram sobre ele, só tinha a própria urina para beber.

Estamos falando, claro, de quem não teve, digamos, o corpo imobilizado por uma viga -- caso em que já estaria sendo comido vivo pelos vermes, como aconteceu à senhora de 84 anos, retirada ainda consciente no 10º dia.

Nenhum livro, filme ou série de TV jamais poderá dar conta da real dimensão da tragédia de Porto Príncipe. Mesmo a simples reconstituição de um desses dramas individuais está além da capacidade humana de descrever o terror.”

Folha de S.Paulo (29.01.2010)
 
 
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                                                                 Mas Kiki foto, rapaz !!!
 
 

 
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                Oito dias preso sob o peso de mil escombros, sem luz, sem água, sem nada o que levar à boca.

                Oito dias sem ver a sua mãe e sua família. Olhos fundos pela desidratação.
 
                Não há lágrimas porque as crianças sempre guardam a esperança.

                Não há dor porque a vida é ainda um brincadeira para eles.

                Por isso, quando se faz a luz, quando acaba o pesadelo... sempre há um impressionante e caloroso   
                sorriso.
 
                De braços abertos para a vida e no aguardo do acalento da mãe, Kiki voltou para terminar o jogo...

               
                (Texto-leganda: autor desconhecido)
 
 
 
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                         Colaborou na coluna de hoje Gianni Mastroianni, médico, de Fortaleza/Ce.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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