Além das três linhas abaixo que encontrei sobre ele na enciclopédia
eletrônica Wikipédia (abaixo), nada mais sei sobre esse novo vulto de
tão cristalinas ideias anti-humanísticas:
Somos de formação democrática e adoramos o debate, ainda mais quando as
ideias se abrem em evidente distanciamento e bipolaridade. Já
colecionei pilhas e pilhas de cadernos de Classificados do Estadão, em
minha época de estudante, só para ler os artigos facistoides que o
jornal paulista estampava nas capas e contracapas, reproduzindo
posições francamente americanistas, na época da guerra fria.
Já colecionei, por influência de meus pais, até Seleções do Reader´s Digest, uma quase Bíblia do
american way of life,
eu em tudo isso bem posicionado do lado oposto, nacionalista e de
esquerda, leitor do guru panfletário Gondim da Fonseca, só pelo gosto
do confronto de pensamentos.

E,
por isso mesmo, só por isso, vou reproduzir hoje nesse espaço o texto
do escritor Janer Cristaldo, que nos chegou às mãos, por estar
circulando aí, na Internet.
Espero que, como eu, vocês se manifestem em apoio ou contra, mas não
fiquem indiferentes, porque – convenhamos - encontrar pecado mortal em
Dona Zilda Arns é grave.
Muito grave; e, a menos que Janer esteja coberto de razão, isso é um tapa na cara de quem só fez o bem ao país e à humanidade.
A Libéria – isto é, a Terra Livre - foi fundada no século XIX por
escravos libertos dos Estados Unidos, não tendo conhecido o domínio
colonial.
O país foi criado pela American Colonization Society, organização
criada em 1816 por Robert Finley, cujo objetivo era levar para a África
negros livres ou negros que tinham sido libertos da escravidão. Segundo
Finley e outros líderes americanos, os negros jamais seriam capazes de
se integrar na sociedade do país. A única solução seria reenviá-los
para a África, para evitar tanto a criminalidade como o casamento
interracial.

Em
1821, a American Colonization Society adquiriu uma parcela de terra na
África, onde se fixariam os primeiros colonos negros oriundos dos
Estados Unidos. Em 1847, a Libéria declarou a sua independência,
tornando-se o primeiro país africano a tornar-se independente.
Independência para quê? Hoje, a Libéria é ainda mais pobre que o Haiti.
No mesmo ranking de 180 países, seu PIB per capita ocupa o 159º lugar.
Conclusão? Antes que me chamem de racista, apelo ao testemunho de
George Samuel Antoine, cônsul do Haiti no Brasil. Sem saber que estava
sendo gravado pela reportagem do SBT Brasil, Samuel Antoine disse: “O
africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá fodido".
Verdade que logo depois se apressou em dizer que foi mal interpretado.
Mas não vejo muito como interpretar mal sua afirmação. Disse, está
dito. Como cônsul, deve conhecer bem o país que representa.

Em
1957, o médico François Duvalier, mais conhecido como Papa Doc, foi
eleito presidente do Haiti, onde instaurou um governo baseado no terror
promovido pelos tontons macoutes, membros de sua guarda pessoal. Em
1964, no melhor estilo de Fidel Castro ou Hugo Chávez, decretou sua
presidência vitalícia. Deu ordens para a produção de panfletos, onde,
entre outras informações, designava-se deus. Foi quando o Haiti
tornou-se a nação mais pobre do continente.
Ao morrer, em 1971, foi substituído por seu filho, Jean-Claude
Duvalier, o Baby Doc, que hoje come o amargo caviar do exílio em Paris.
Escrevi ontem sobre Zilda Arns, a Teresa de Calcutá tupiniquim, morta
no terremoto, e afirmei: ´quem conhece o que penso de Agnes Gonxha
Bojaxhiu, a santarrona albanesa, sabe que nisto não vai nenhum elogio´.
Não faltou leitor que me interpelasse. Que tens contra a madre Teresa?
É leitor que não me acompanha. Entre outras proezas, madre Teresa
recebeu das mãos de Baby Doc a ´Légion d'honneur´ haitiana. Isso sem
falar nas flores que levava à tumba de um dos mais sanguinários
ditadores dos Balcãs, Enver Hoxha, seu conterrâneo. Mas falava da Arns,
a novel santa brasileira.

Escreveu
um de meus interlocutores: ´Janer, tua biografia poderia passar sem
essa crônica. Misturas alhos com bugalhos e de leva ofendes a Zilda
Arns. Essa mulher conseguiu criar, no Brasil, um serviço que reúne 250
mil voluntários e atende dois milhões de pessoas. O fato de ser
religiosa apenas mostra a base para seus ideais. Independentemente da
tua fobia por papas, bispos ou cardeais, poderias ter passado sem
realizar essa agressão gratuita para uma pessoa cujo único crime foi a
bondade´.
Bondade? Em termos. Por trás da bondade, muitas vezes se esconde a
perversidade. Para atender dois milhões de miseráveis é preciso que
existam dois milhões de miseráveis. O número deles seria menor se
houvesse uma política de redução da natalidade. Isto, como boa
católica, Zilda Arns não admitia. Condenava anticoncepcionais e
preservativos. The sperm is sacred, como diziam os Monty Python.

Esta
atitude criminosa da Igreja romana, que só aumenta a miséria no mundo,
está dizimando africanos aos magotes, pela AIDS, nos países de
predominância católica. A Teresa de Calcutá tupiniquim foi cúmplice
desta política assassina. Com sua atitude hipócrita,
Zilda Arns criava os miseráveis para depois atendê-los. A Santa Madre
Igreja Católica Apostólica Romana é uma caftina de miseráveis. Não por
acaso, só se expande em países pobres. Sem miséria, não é fácil ser
santo. Falta clientela.
Este política pode ser vista em São Paulo. Quando alguma autoridade
inventa de retirar os mendigos da rua, lá vêm as igrejeiras: ´quem
tirou daqui nossos mendigos? Queremos nossos mendigos de volta´.
Não estou usando de retórica. Esta frase eu a li no Ceciliano, boletim
da paróquia de Santa Cecília, aqui ao lado de onde moro. Quando foram
retirados os mendigos do largo que entorna a Igreja, os padres chiaram:
queremos nossos mendigos de volta.

Miséria,
bem explorada, dá lucro. Com milhares de mendigos na rua, estão
garantidos os milhões de dólares que a Miseoror, a Cáritas e outras
entidades européias enviam para a Igreja brasileira.
Com estes milhões, Arns fornecia aos miseráveis uma sopa feita de
arroz, milho, sementes de abóbora e cascas de ovo. Ontem ainda, esta
gororoba foi saudada pelo senador Flávio Arns, seu sobrinho, como o
grande ´legado´ deixado pela titia na luta contra a mortalidade
infantil. Lula já pede um prêmio Nobel póstumo para a santarrona de
Forquilhinha.
Obscurantismo, dizem os dicionários, é a atitude, doutrina, política ou
religião que se opõe à difusão dos conhecimentos científicos entre as
classes populares.

O
obscurantismo de Zilda Arns não se resume à condenação do controle de
natalidade. Ao manifestar-se contra as experiências com células-tronco,
a médica sanitarista de Forquilhinha está negando a ciência e
condenando experiências vitais para a humanidade.
´Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão´,
já dizia Nietzsche. Esta senhora, a estrela do terremoto no Haiti, de
um obscurantismo que nos remete aos dias em que Galileu foi condenado
pela Igreja Católica, está sendo hoje promovida a santa pela imprensa
nacional.
Last but not least, não tenho fobia nenhuma por papas, bispos ou cardeais. Tenho asco. É diferente.
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Nota do Remetente: Pedro Paulo (...?)

Zilda
Arns não só defendia a explosão demográfica, como esta era praticada em
sua família. Ela própria era a 12ª de 13 irmãos e teve 5 filhos, antes
de ficar viúva. Só os descendentes dos pais da Dra. Zilda hoje se
contam em mais de uma centena, entre filhos, primos e netos.
Certa feita, há mais de uma década, compareci a um debate sobre o
problema da natalidade, patrocinada por ela. Um padre italiano fez a
palestra defendendo a procriação, alegando que o mundo ainda tem muito
espaço para ser ocupado e que podemos aumentar a produção de alimentos
para atender a demanda.
E
a água potável, o esgoto, as moradias, as escolas, os hospitais, os
empregos para atender a esta multidão crescente? Cassaram-me a palavra
e eu me retirei enojado. Porque este problema é vital para a
sobrevivência da humanidade.
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