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23.01.2010

A TORTO & A DIREITO No 70

 

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A TORTO & A DIREITO No 70

                                                                Janer Cristaldo, conhece?


http://direitoce.com.br/images/stories/zilda_arns_rosto.jpgVocê já ouviu falar em Janer Cristaldo? Como eu, pobre ignorante, acho que nunca. Mas agora, você vai saber de quem se trata, porque ouvimos dizer que seu principal hábito é bater em cachorro morto.
 
Trata-se de uma pessoa a quem você será apresentado como se fosse ao Maguila. E, de repente, você lhe estende a mão e recebe um belo cruzado de direita bem no centro das fuças.

Além das três linhas abaixo que encontrei sobre ele na enciclopédia eletrônica Wikipédia (abaixo), nada mais sei sobre esse novo vulto de tão cristalinas ideias anti-humanísticas:

“Janer Cristaldo Ferreira Moreira (Santana do Livramento, 2 de julho de 1947) é um escritor, ensaista e contista brasileiro. Bacharel em Direito, graduado em Filosofia, trabalha como tradutor, e articulista de jornais onlines e sites do Brasil.”

http://direitoce.com.br/images/stories/papa_bento_jedi.jpgJaner é o salmão contra a correnteza desta enorme reverência nacional que, no momento, todos nós tributamos à grandeza da Dona Zilda Arns. Ele pode ter alguma razão neste ou naquele argumento, como, por exemplo, na tese da desordenada explosão demográfica em países de baixa renda, estimulada por posições conceptivas da Igreja Católica, mas carrega nas tintas sem dó nem piedade contra uma defunta que nem sequer esfriou, classificando-a de interessada no crescimento da miséria para melhor aplicar uma política assistencialista.

Somos de formação democrática e adoramos o debate, ainda mais quando as ideias se abrem em evidente distanciamento e bipolaridade. Já colecionei pilhas e pilhas de cadernos de Classificados do Estadão, em minha época de estudante, só para ler os artigos facistoides que o jornal paulista estampava nas capas e contracapas, reproduzindo posições francamente americanistas, na época da guerra fria.
 
Já colecionei, por influência de meus pais, até Seleções do Reader´s Digest, uma quase Bíblia do american way of life, eu em tudo isso bem posicionado do lado oposto, nacionalista e de esquerda, leitor do guru panfletário Gondim da Fonseca, só pelo gosto do confronto de pensamentos.

http://direitoce.com.br/images/stories/meninos_rua_brasil.jpgE, por isso mesmo, só por isso, vou reproduzir hoje nesse espaço o texto do escritor Janer Cristaldo, que nos chegou às mãos, por estar circulando aí, na Internet.
 
Espero que, como eu, vocês se manifestem em apoio ou contra, mas não fiquem indiferentes, porque – convenhamos - encontrar pecado mortal em Dona Zilda Arns é grave.
 
Muito grave; e, a menos que Janer esteja coberto de razão, isso é um tapa na cara de quem só fez o bem ao país e à humanidade.

Com o título que esta coluna tem, você pode até refletir no final: o que é o TORTO e o que é DIREITO?
 
Decida você. As cartas estão na mesa. De minha parte, lavo as mãos.
 
 
                          

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 A Santarrona de Forquilhinha


                                                                                                   Janer Cristaldo

http://direitoce.com.br/images/stories/prato_de_comida_pobreza.jpgA ´pérola das Antilhas´ – isto é, o Haiti – gaba-se de ter sido o primeiro país latino-americano a declarar-se independente. Unidos sob a liderança de Toussaint L'Ouverture e, mais tarde, do ex-escravo Jean-Jacques Dessalines, negros e mulatos combateram as tropas francesas até a proclamação da independência em 1804. Independência para quê? Hoje, o Haiti é o país mais pobre do continente. Em um ranking de 180 países, seu PIB per capita ocupa o 130º lugar.

A Libéria – isto é, a Terra Livre - foi fundada no século XIX por escravos libertos dos Estados Unidos, não tendo conhecido o domínio colonial.
 
O país foi criado pela American Colonization Society, organização criada em 1816 por Robert Finley, cujo objetivo era levar para a África negros livres ou negros que tinham sido libertos da escravidão. Segundo Finley e outros líderes americanos, os negros jamais seriam capazes de se integrar na sociedade do país. A única solução seria reenviá-los para a África, para evitar tanto a criminalidade como o casamento interracial.

http://direitoce.com.br/images/stories/zilda_arnes_sanduiche_de_amor.jpgEm 1821, a American Colonization Society adquiriu uma parcela de terra na África, onde se fixariam os primeiros colonos negros oriundos dos Estados Unidos. Em 1847, a Libéria declarou a sua independência, tornando-se o primeiro país africano a tornar-se independente. Independência para quê? Hoje, a Libéria é ainda mais pobre que o Haiti. No mesmo ranking de 180 países, seu PIB per capita ocupa o 159º lugar.

Conclusão? Antes que me chamem de racista, apelo ao testemunho de George Samuel Antoine, cônsul do Haiti no Brasil. Sem saber que estava sendo gravado pela reportagem do SBT Brasil, Samuel Antoine disse: “O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá fodido". Verdade que logo depois se apressou em dizer que foi mal interpretado. Mas não vejo muito como interpretar mal sua afirmação. Disse, está dito. Como cônsul, deve conhecer bem o país que representa.

http://direitoce.com.br/images/stories/favela_beira_corrego.jpgEm 1957, o médico François Duvalier, mais conhecido como Papa Doc, foi eleito presidente do Haiti, onde instaurou um governo baseado no terror promovido pelos tontons macoutes, membros de sua guarda pessoal. Em 1964, no melhor estilo de Fidel Castro ou Hugo Chávez, decretou sua presidência vitalícia. Deu ordens para a produção de panfletos, onde, entre outras informações, designava-se deus. Foi quando o Haiti tornou-se a nação mais pobre do continente.
 
Ao morrer, em 1971, foi substituído por seu filho, Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, que hoje come o amargo caviar do exílio em Paris.

Escrevi ontem sobre Zilda Arns, a Teresa de Calcutá tupiniquim, morta no terremoto, e afirmei: ´quem conhece o que penso de Agnes Gonxha Bojaxhiu, a santarrona albanesa, sabe que nisto não vai nenhum elogio´. Não faltou leitor que me interpelasse. Que tens contra a madre Teresa? É leitor que não me acompanha. Entre outras proezas, madre Teresa recebeu das mãos de Baby Doc a ´Légion d'honneur´ haitiana. Isso sem falar nas flores que levava à tumba de um dos mais sanguinários ditadores dos Balcãs, Enver Hoxha, seu conterrâneo. Mas falava da Arns, a novel santa brasileira.

http://direitoce.com.br/images/stories/fome_crianca.jpgEscreveu um de meus interlocutores: ´Janer, tua biografia poderia passar sem essa crônica. Misturas alhos com bugalhos e de leva ofendes a Zilda Arns. Essa mulher conseguiu criar, no Brasil, um serviço que reúne 250 mil voluntários e atende dois milhões de pessoas. O fato de ser religiosa apenas mostra a base para seus ideais. Independentemente da tua fobia por papas, bispos ou cardeais, poderias ter passado sem realizar essa agressão gratuita para uma pessoa cujo único crime foi a bondade´.

Bondade? Em termos. Por trás da bondade, muitas vezes se esconde a perversidade. Para atender dois milhões de miseráveis é preciso que existam dois milhões de miseráveis. O número deles seria menor se houvesse uma política de redução da natalidade. Isto, como boa católica, Zilda Arns não admitia. Condenava anticoncepcionais e preservativos. The sperm is sacred, como diziam os Monty Python.
 
http://direitoce.com.br/images/stories/camisinhas_cores_05.jpgEsta atitude criminosa da Igreja romana, que só aumenta a miséria no mundo, está dizimando africanos aos magotes, pela AIDS, nos países de predominância católica. A Teresa de Calcutá tupiniquim foi cúmplice desta política assassina. Com sua atitude hipócrita,
 
Zilda Arns criava os miseráveis para depois atendê-los. A Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana é uma caftina de miseráveis. Não por acaso, só se expande em países pobres. Sem miséria, não é fácil ser santo. Falta clientela.

Este política pode ser vista em São Paulo. Quando alguma autoridade inventa de retirar os mendigos da rua, lá vêm as igrejeiras: ´quem tirou daqui nossos mendigos? Queremos nossos mendigos de volta´.
 
Não estou usando de retórica. Esta frase eu a li no Ceciliano, boletim da paróquia de Santa Cecília, aqui ao lado de onde moro. Quando foram retirados os mendigos do largo que entorna a Igreja, os padres chiaram: queremos nossos mendigos de volta.

http://direitoce.com.br/images/stories/mst_acampamento_fazenda_invadida.jpgMiséria, bem explorada, dá lucro. Com milhares de mendigos na rua, estão garantidos os milhões de dólares que a Miseoror, a Cáritas e outras entidades européias enviam para a Igreja brasileira.
 
Com estes milhões, Arns fornecia aos miseráveis uma sopa feita de arroz, milho, sementes de abóbora e cascas de ovo. Ontem ainda, esta gororoba foi saudada pelo senador Flávio Arns, seu sobrinho, como o grande ´legado´ deixado pela titia na luta contra a mortalidade infantil. Lula já pede um prêmio Nobel póstumo para a santarrona de Forquilhinha.

Obscurantismo, dizem os dicionários, é a atitude, doutrina, política ou religião que se opõe à difusão dos conhecimentos científicos entre as classes populares.
 
http://direitoce.com.br/images/stories/maos_e_pobreza.gifO obscurantismo de Zilda Arns não se resume à condenação do controle de natalidade. Ao manifestar-se contra as experiências com células-tronco, a médica sanitarista de Forquilhinha está negando a ciência e condenando experiências vitais para a humanidade.
 
´Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão´, já dizia Nietzsche. Esta senhora, a estrela do terremoto no Haiti, de um obscurantismo que nos remete aos dias em que Galileu foi condenado pela Igreja Católica, está sendo hoje promovida a santa pela imprensa nacional.

Last but not least, não tenho fobia nenhuma por papas, bispos ou cardeais. Tenho asco. É diferente.
                                            
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                                  Nota do Remetente: Pedro Paulo (...?)

 
http://direitoce.com.br/images/stories/camisinha_cartoon_feliz.jpgZilda Arns não só defendia a explosão demográfica, como esta era praticada em sua família. Ela própria era a 12ª de 13 irmãos e teve 5 filhos, antes de ficar viúva. Só os descendentes dos pais da Dra. Zilda hoje se contam em mais de uma centena, entre filhos, primos e netos.

Certa feita, há mais de uma década, compareci a um debate sobre o problema da natalidade, patrocinada por ela. Um padre italiano fez a palestra defendendo a procriação, alegando que o mundo ainda tem muito espaço para ser ocupado e que podemos aumentar a produção de alimentos para atender a demanda.
 
E a água potável, o esgoto, as moradias, as escolas, os hospitais, os empregos para atender a esta multidão crescente? Cassaram-me a palavra e eu me retirei enojado. Porque este problema é vital para a sobrevivência da humanidade.

Hoje Haiti e Bangladesh, por exemplo, são territórios que mais parecem formigueiros humanos. Bangladesh, por exemplo, é menor do que o Ceará e tem uma população maior do que o Brasil. População de analfabetos e fanáticos, para os quais a civilização ocidental é infiel e deve ser combatida com o Santo Jihad (Guerra Santa)

              
 
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Colaborou hoje com a coluna Giovanni Scandura, do Recife






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