Um
comentário que qualquer turista logo faz ao desembarcar em nossa
capital, Fortaleza, diz respeito à quantidade extraordinária de carros
grandes, importados, que dispomos em nossa frota.
É a velha história do distintivo social. Se no passado um bom sobrado
na Rua Major Facundo ou um bangalow em Jacarecanga se constituíram
referencial para nossos avós, hoje um bom 4x4 Toyota, Mitsubishi ou
Hyundai faz as vezes de carteirinha do clube dos vitoriosos. Um BMW ou
Mercedes, então, nem se fala. Você transforma-se num pós-graduado do
sucesso. Imagine!
Ser sócio do Ideal, Náutico ou Iate virou muito pouco diante de um
veículo que você pode desfilar por ruas e avenidas, estacionar na porta
do Fórum e, de fato, exibir por aí suas credenciais de profissional
acima da linha d´água.
A pergunta é: sempre foi assim? Quase. Um episódio interessante a
respeito é contado no livro “Chatô – O Rei do Brasil”, de Fernando
Morais. Assis Chateaubriand era um dos mais prestigiados advogados do
Brasil e, nessa fase, acabara de chegar ao Rio, vindo do Recife, para
constituir banca.
“Seu companheiro inseparável passou a ser o jovem engenheiro Eugênio
Gudin, diretor da Brazil Railway, com quem dividia diariamente um
assento nos bondes cariocas. Os dois haviam-se conhecido anos antes em
Pernambuco, quando Gudin dirigiu a instalação das linhas da Pernambuco
Tramway & Power e foi em meados de 1918 que Gudin ouviu o amigo
falar, pela primeira vez, de seus planos para o futuro.
Chataubriand
havia pedido seu aval para um empréstimo que tomara no Banco Germânico.
O dinheiro, confessou, seria utilizado na compra de um luxo descabido
para a época: um automóvel. Mais precisamente, uma espetacular
baratinha Panhard Levassor francesa com carroceria desenhada por
Labourdette, que ele vinha cobiçando desde que fora lançada na Europa.
Cauteloso, Gudin perguntou se não seria imprudência tomar dinheiro
emprestado para dissipá-lo na compra de um carro de luxo. Como a
advertência vinha do avalista, Chateaubriand sentiu-se na obrigação de
ser sincero: - Seu Gudian, eu só advogo para ganhar dinheiro e comprar
um jornal. Acha que andando de bonde e fazendo vida de classe média
inspiro confiança aos acionistas da futura gazeta?”
Aí vem onde quero chegar:
“- O carro próprio é hoje o melhor índice de prosperidade. O importante
não é ter dinheiro, mas transmitir a ilusão de que ele não anda longe
de mim.
Diante do espanto de Gudin, arrematou teatral:
- A fortuna não anda mais a pé. Mas de automóvel. E se for uma Panhard,
tanto melhor. As sociedades vivem de mitos. Quero que a burguesia
alimente o mito da minha petulante fortuna, porque é dessa burguesia
que precisarei muito em breve.
Gudin deu o aval, mas não conseguiu guardar o segredo. Logo circulava
pela praça a notícia de que Chateaubriand queria montar ou comprar um
jornal.”
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Estamos em ano de eleição
Veja aqui em quem não votar
Senhores ministros do TSE e desembargadores do
TRE, aquietai-vos. Esses foram candidatos na eleição passada e,
provavelmente, escoimados pelo rigoroso filtro da formação política do
eleitorado nacional. Agora, é torcer para novas legiões de brasileiros
e brasileiras desse nível não se apresentem em outubro próximo, pois de
palhaços o circo já está cheio.
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Direito de Resposta
Recebemos de Ayrton Rocha e publicamos, já que ele arguiu o Direito de Resposta, consagrado na legislação:
"Amigo muito querido Giacomo Mastroianni.
Que nos perdoe Nelson Cavaquinho, mas as rugas, nunca jamais, fizeram
residência no meu e no teu rosto. Até porque, rosto de poeta não tem
rugas! Tem dores, sofridas por tantos amores.
O rosto do poeta é o coração ansioso por amor. É a alma sofrida de
dor que ainda consegue respirar o perfume da flor, sentindo a partida
da rosa que nunca mais voltou.
O rosto do poeta, são lágrimas sofridas, de uma vida que passou.
Ao ler neste meu breviário " A Torto & A Direito ", o poema que
compuseste para mim, com tanta melodia, harmonia, cheio de beleza, a
felicidade veio me visitar.
Um Céu cheio de estrelas, tomou conta do meu sentimento, da minha
música e da minha poesia, onde eu bebia com os deuses uma taça de amor.
Obrigado amigo, obrigado poeta, pelo banquete tão nobre e requintado
que me ofereceste com os virtuosos, Drummond, Tom, Bandeira, Ataulfo,
Cartola e meu poeta maior, Campoamor, meu Pai.