03.08.2010

Vaidade e Direito

Voltei! Passada a Copa de 2010 (que aquela estrela solitária na camisa d´Espanha ficou esquisita, ficou!) nova competição foi iniciada.
Desta vez, aqui mesmo na Terra do Sol, para desembargador do Tribunal de Justiça, escolhido dentre advogados “militantes” (o chamado 5o Constitucional, cf. o art. 94 da Constituição Federal, reserva de 20% das vagas do TJ para causídicos).
Este colunista também entrou no páreo, junto a outros colegas de labor forense, mas não logrou êxito. Confesso que, numa racionalização onírica, por um divórcio, não podendo abandonar os clientes, sem marketeiros e até parando a prensa da Coluna, não deu pra falar com cerca de 23.000 colegas.
O que se indaga, porém, é qual o motivo que se leva a postular o múnus:
a) a importância do cargo e o poder de decidir?
b) o carro preto à disposição?
c) ser tratado de ´Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Fulano de Tal do Egrégio Tribunal de Justiça´ (Ufa)?
Ou será a terrível VAIDADE, resumo de todos os pecados? Sei lá, cada qual tem suas razões...

Não havia dia que não entupissem minha caixa de correio ou e-mail, de impressos sobre a vida dos postulantes, que foram isso e aquilo, o melhor e coisa e tal.
Entretanto, o que esperamos de um julgador advindo da verdadeira militância forense? Aparenta suspeito um candidato falar sobre os demais, mas há perguntas que não calam. Pelo que aprendi na ´campanha´, todos são bons operadores do Direito.
Mas o que incomodou foi a falta de um quesito simples: humildade.
Quando me foi dado o número 16, pensei logo numa palavra ´absoluta´, reunindo toda a essência da aspiração ao cargo: D16NIDADE!
Isso mesmo, acrescendo o número 16 na segunda e terceira letras, acredito que, antes de tudo, do currículo gordo, das funções ocupadas, o desembargador egresso da OAB/Ce havia de ser DIGNO!
Pior foi quando, depois de distribuir pequena propaganda com o ´d16nidade´, a mesma foi copiada.
Também, o ´gabinete de portas abertas´ e a ´ponte OAB/TJ´. Uma palavra só não é motivo de plágio, mas quanta falta de criatividade (que vou abrir uma agência de publicidade, ah, isso vou!).
Bem, sorte pra todos! Amo o Direito e respeito todos vocês! Afinal, a advocacia é uma das pernas do banco do Judiciário: cortada, o anarquismo fatalmente derrocará nossa custosa democracia.
Nota: condeno às “galés perpétuas” a boca de urna e propaganda no local das votações.
Isso, de facto, não foi digno!
As eleições continuam!
Contemplados os 12 apóstolos, digo, os eleitos, a campanha continua. Agora vão ser sabatinados pelos Conselheiros da OAB/Ce. A alegria dos incluídos por certo causará choro na redução para seis.
Depois, lágrimas pelo rol de 3 candidatos - como diz um amigo, a “lista tripa” (tríplice) - e por final, somente 1 alcançará a vitaliciedade do cargo, por decisão política do Governador do Estado. Antecipadamente, salve a Majestade, e ´saúde´ se espirrar!
De uma coisa porém me livrei: vários pedidos de empréstimos – até um carro - pelos colegas. A vida continua... não devem os não escolhidos afundar em tristeza, mas sim continuar sua função social de fazer Justiça.


Afinal, até o maior dos brasileiros, Ruy Barbosa, foi derrotado por 2 vezes para presidente da República, por quem nada entendia do Direito, e mesmo assim foi advogado até o fim da vida terrena!
Virou nome de avenidas e ruas, o que talvez ocorrerá com o eleito.
Será que a maior vaidade dos candidatos será essa? Sei lá... sonhar é de graça!
Abração do ANDRÉ STUDART, candidato a candidato!
P.S. - A coluna parece um desabafo: e é mesmo! Fiquei “p. da vida” em não ser eleito dentre os 12, e assumo!
Mas vou indo, cantando “amor febril” e lendo ´O Prazer de Servir´ da Gabriela Mistral, sem choro nem vela!